Era uma vez, um príncipe. Ele era bonito, de olhos verdes, charmoso, engraçado, educado... mas também um tremendo de um canalha. Um dia, conhecendo a fama de arrasador de corações do jovem, uma fada resolveu vingar todas as moças das redondezas lançando-lhe um feitiço que o transformou em sapo. A magia só seria quebrada caso o príncipe, agora um sapo, recebesse um beijo sincero e apaixonado.
Ele ficou desolado... afinal, quem se apaixonaria por um sapo? O que ele não sabia, porém, é que o destino estava a seu favor.
Numa noite, uma jovem princesa, muito pura (e inocente, diga-se de passagem) em seus sentimentos, sentou na beira do lago pensativa.
O sapo teve vergonha de, com aquela aparência, aproximar-se da jovem. Pediu para que a rã, sua nova amiga, o apresentasse a ela. E assim aconteceu.
A princesa nem se preocupou com a aparência do príncipe sapo... retribuiu-lhe com um sorriso, e os dois começaram a conversar.
O príncipe sapo era tão gentil e carinhoso que a princesa passou a procurá-lo todos os dias, e quando percebeu, já havia se apaixonado por ele.
Numa tarde, o príncipe sapo tomou coragem e perguntou à princesa:
- O que é necessário para que você me dê um beijo?
- Confiança – respondeu a princesa.
- Se você não quiser tudo bem – disse o príncipe sapo.
- Eu quero, mas é que...
Houve um momento de silêncio, até que a princesa lhe confessou um segredo. A jovem nunca havia compartilhado seu beijo com ninguém.
- Não se preocupe – disse o príncipe-sapo – é impossível que seja ruim.
Foi então que aconteceu. A jovem princesa deu um beijo sincero e apaixonado nele... e a surpresa! O feitiço se quebrou, e o príncipe voltou a ser o belo jovem antes.
A princesa ficou muito surpresa com o fato de ele ser um homem, mas isso nem importava. Ela havia se apaixonado por sua essência.
E agora vem o “e viveram felizes para sempre”... ERRADO!
Quem disse que o príncipe quis a bobona da princesa? Ele ficou com ela duas vezes e depois só a enrolava.
Quando a encontrava se dizia confuso, despreparado. Repetia várias vezes que gostava dela, mas precisava de um tempo. Conversa. Na verdade tudo que ele queria era curtir novamente a vida em forma de homem: baladas, mulheres, festas, etc...
Eles ficaram muito tempo sem se falar ou se encontrar... e durante esse tempo a jovem aguardou, alimentou esperanças, até que percebeu (e ouviu do príncipe) que tudo não havia passado de um divertimento.
Passaram-se algumas semanas...
Numa noite, o príncipe encontrou a princesa em um barzinho, e para sua surpresa, ela estava acompanhada de outro.
E depois desse dia, ele começou a encontrá-la sempre na noite, no shopping, e em vários lugares... numa dessas vezes, quando chegou em casa, o príncipe sentiu algo estranho. Ele não enxergava a fechadura da porta, que para sua sorte, já estava aberta. Ele a empurrou e entrou na casa, passou por alguns cômodos, entrou em seu quarto, e quando passou em frente ao espelho notou algo estranho: ele não se via.
Então ele deu um salto... ops, espere aí! Um salto?! Sim, ele havia se transformado novamente em um sapo.
Foi então que ele percebeu que o que o tornava humano era o amor da princesa, sentimento puro, verdadeiro, que havia nascido independente de sua aparência, popularidade ou condição social.
Nesse momento descobriu o que sempre tentou negar: ele amava a princesa, e muito. Mas agora já era tarde demais.
Ele ficou condenado a passar o resto de sua vida como um sapo, solitário e sem poder receber o verdadeiro amor.
Fim
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